A modernização da cirurgia de catarata

De acordo com pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, 28,7% das pessoas com idade superior a 60 anos tem diagnóstico de catarata em um ou ambos os olhos. Dessas, 72,2% realizaram cirurgia para correção. A maior parte dos pacientes que não realizou a cirurgia declarou que, mesmo com indicação médica, não acharam necessária a cirurgia.

A catarata consiste na opacidade parcial ou total do cristalino (lente natural do olho) ou de sua cápsula. Pode ocorrer de forma congênita (desde o nascimento), primária, que é a forma mais comum e evolui com a idade, ou secundária, adquirida por doenças metabólicas como o diabetes, doenças oculares como uveítes, trauma ocular e abuso de colírios a base de corticoides.

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Os pacientes que possuem catarata percebem diminuição da acuidade visual, visão dupla, aumento ou diminuição no grau dos óculos e piora da visão na luz forte.

Tratamento

Não existe nenhum tratamento clínico para a catarata, ou seja, ela só pode ser corrigida por meio de cirurgia. Porém, o procedimento é simples e rápido. A cirurgia para correção da catarata é chamada de Facectomia. Durante a cirurgia, o cristalino é desmanchado e removido e para sua substituição, uma lente artificial é implantada.  

Existem muitas opções de lente intraocular (LIO) e a escolha é realizada por meio de exames que indicam qual a melhor opção para cada caso. Com o uso das lentes intraoculares dobráveis, é possível realizar o procedimento sem a necessidade de pontos (por não ser rígida, a LIO pode ser dobrada e implantada por meio de uma incisão com menos de três milímetros).

A Oftalmoclinica Curitiba, pioneira em muitas áreas da oftalmologia no Paraná, passou a utilizar recentemente uma ferramenta que utiliza o conceito de Internet das Coisas para melhorar os resultados da cirurgia de Catarata. Com o uso de equipamentos de alta tecnologia que “conversam” entre si enviando dados precisos sobre cada paciente, não só é possível corrigir a catarata, mas também eliminar erros refrativos nos pacientes. Ou seja, o paciente substitui o cristalino por uma Lente Intraocular (LIO) e não precisará mais utilizar lentes corretivas após a cirurgia.

O Dr. Francisco Grupenmacher, especialista em cirurgia de catarata, fala sobre a evolução das técnicas cirúrgicas de substituição do cristalino: “Os equipamentos utilizados até agora para o cálculo do grau da LIO não eram capazes de eliminar por completo o erro refrativo. Ainda que com um grau pequeno, a maior parte dos pacientes que operavam a catarata, precisavam utilizar lentes corretoras após a cirurgia”. Segundo o cirurgião, isso acontece porque os equipamentos mais utilizados em clínicas de todo o Brasil para o cálculo do grau da lente não são capazes de calcular com precisão o grau ideal.

O médico explica ainda, que antes do IOL 700 (moderno aparelho da Zeiss), vários fatores influenciavam no resultado da cirurgia: “Por exemplo, a forma como o médico posiciona os braços durante a cirurgia muda em milímetros o ângulo da incisão feita na facectomia. Esse é um fator que também contribui para determinar quanto o paciente terá de erro de refração após o procedimento”, completa.

IOLMaster® 700 - Zeiss IOLMaster® 700 - Zeiss

 

Diferentemente de outros equipamentos de biometria computadorizada (exame que calcula o grau da lente), o IOL 700 é capaz de analisar praticamente todos os pontos do olho que influenciam na refração. Ele analisa inclusive, se o paciente possui problemas em outras regiões do olho que podem influenciar no erro de refração após a cirurgia de catarata.

Uma vez identificado qual o tipo ideal de LIO, as informações alimentam um segundo aparelho (VERION) que analisa também qual o ângulo que o cirurgião desse paciente opera e a quantidade de astigmatismo que é induzida pela cirurgia. Com a junção desses dados, ele determina então, qual o grau necessário para que após a cirurgia, não sobre nenhum erro refrativo. É importante observar que o grau da lente pode mudar de acordo com o cirurgião que realizará a cirurgia, pois o equipamento calcula o grau considerando o ângulo, a posição, o tamanho e a quantidade de grau de astigmatismo que ocorrerá quando as incisões forem realizadas.

Quando a cirurgia é a laser, a precisão pode ser ainda maior. O LenSx (moderno aparelho para cirurgias a laser) opera com um laser de femtosegundo, que corresponde a um milionésimo de um bilionésimo de segundo. Dessa forma, o procedimento é rápido, seguro e eficaz, com incisões mais finas e concisas. O procedimento cirúrgico com LenSx é diferente da cirurgia convencional, que utiliza lâminas de bisturis e pinças.  Além disso, a cirurgia a laser possui maior precisão por conta da automação do procedimento.

Fonte: Divulgação Alcon Na cirurgia a laser não há necessidade de uso de lâminas.

 

No pré-operatório são obtidas imagens e medidas do globo ocular que são transmitidas pela internet diretamente ao aparelho Verion, que está acoplado com o laser Lensex. Durante a cirurgia, o médico confere e registra essas medidas para depois aplicar os pulsos de laser na cápsula do cristalino, realizar a incisão no tamanho, forma e local corretos, retirando depois a catarata. O laser concretiza etapas delicadas da cirurgia de forma eficaz, facilitando também o período de recuperação do paciente.

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